Agronegócios

Certamente vocês já se depararam com frases como: o Brasil é o celeiro do mundo; agronegócio brasileiro caminha para ser o maior produtor de alimentos do mundo ainda em 2.020;  o governo federal tem atuado na abertura de mercados para os produtos do agro brasileiro; a China importou quantidade record de soja em junho/20; a balança comercial brasileira tem superávit devido as exportações do agronegócio; a agropecuária apresentou crescimento de 0,6% no primeiro trimestre de 2020 quando comparado com o quarto trimestre de 2019 (nenhum setor brasileiro teve esse crescimento)  ou ainda a expressão “ agrobusiness” quando se faz menção a atividade agrícola/pecuária.

Todas as inferências acima falam do Agronegócio no Brasil, que há cerca de 40 anos começou a se preparar para alcançar o importante posto que hoje ocupa.

É um setor que traz muitas oportunidades para o Brasil e sua população, por isso a importância de entender sua dinâmica.

O setor apresentou em 2019 o VBP (valor bruto da produção) de R$ 617 bilhões, crescimento de 2,1% em relação ao ano anterior, 2018 quando o VBP totalizou R$ 604,5 bilhões.

O gráfico acima mostra as lavouras mais representativas do VBP, sendo que soja mais bovinos, representam 36% do VBP.

O desenvolvimento setorial pode ser acompanhado durante esse período e segue crescendo e atingindo marcas de evolução antes não observadas, os produtos (agrícolas ou pecuários) apresentam qualidade atestada, inclusive com exportação para países de primeiro mundo e que exigem uma forte qualificação.

Hoje somos um forte fornecedor mundial, além obviamente de sustentar uma população de pouco mais de 210 MM de brasileiros.

O agronegócio com seus números superlativos responde por 21% do PIB brasileiro (base 2.019) caminhando para 23% (maio/20) sendo composto de todos os segmentos da cadeia produtiva vinculada à pecuária ou a agricultura, assim inclui também as atividades desenvolvidas pelos fornecedores de insumos e sementes, equipamentos, serviços, beneficiamento de produtos, industrialização e comercialização da produção.

O agronegócio apura seu próprio PIB, denominado PIB Agro Brasil que de jan-abr/2020 foi de 3,78% equivalente a R$ 63 bi, divididos para o setor Pecuário R$ 44 bi e Agrícola R$ 19 bi.

O Cálculo do PIB do Agronegócio Brasileiro resulta de uma parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Seguiu em alta em abril, sendo o quarto mês de avanço consecutivo. De acordo com cálculos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizados em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), em abril, o crescimento foi de 0,36%. Diante dos impactos da pandemia de covid-19, esse foi o menor crescimento mensal registrado em 2020. Ainda assim, o aumento no acumulado do primeiro quadrimestre de 2020 passou para 3,78%.

Entre os ramos do agronegócio, o agrícola teve pequena queda de 0,19% em abril, mas acumula avanço de 1,72% no ano. Já o pecuário cresceu 1,45% no mês e expressivos 8,01% no ano.

Com 76 milhões de hectares cultivados e rebanho de 214,9 milhões de cabeças de boi o que equivale a 1/5 de todo o plantel mundial (IBGE – ano 2019) possui um histórico de trabalho no campo e o desenvolvimento de grandes produtores mundiais diversificando a cadeia no agronegócio.

Possuímos no Brasil cinco rebanhos municipais com mais de 1 milhão de cabeças de boi. Desses, temos dois localizados no Pantanal (Corumbá e Cáceres), dois no Bioma Amazônico (Marabá e São Félix do Xingu) e um no Cerrado (Ribas do Rio Pardo).

PIB brasileiro em 2.019 R$ 7,3 trilhões e do Agro R$ 1,5 trilhões, conforme abaixo exposto.

O agronegócio comumente é segregado em três segmentos:  

1° – Fornecedores de insumos rurais: fabricantes de máquinas rurais, fornecedores de pesticidas, sementes, equipamentos (antes da porteira).

2° – Produtores rurais: detentores de pequenas, médias ou grandes propriedades onde há a produção rural (dentro da porteira).

3° – Processamento, distribuição e comercialização: frigoríficos, distribuidoras de alimentos, indústrias, supermercados, entre outros (depois da porteira).

Assim o setor é composto pelos três segmentos envolvendo toda a cadeia produtiva vinculada a agropecuária e as atividades desenvolvidas pelos fornecedores de insumos e sementes, equipamentos, serviços, beneficiamento de produtos, industrialização e comercialização da produção.

Vale dizer que há outros setores da economia que se relacionam com o agronegócio, a exemplo: dos bancos, agências de fomento, seguradoras, a indústria automotiva (veículos), equipamentos agrícolas, e farmacêutica (vacinas, remédios).

O setor como um todo, com as atividades diretas e indiretas é bastante significativo.

O Agronegócio brasileiro é formado por dois tipos de produtores:

  • Pequenos e médios: também chamados minifundiários, que possuem pequenas áreas de produção, onde predomina a agricultura familiar que também compõem boa parte da mão de obra aplicada a produção.
  • Grandes: os latifundiários representados por donos de terra ou arrendatários de grande extensão de terra, em geral utilizadas como monocultura de commodities (oferta e procura determinado pelo mercado internacional, com soja, milho e algodão).

Há um crescente movimento, em partes já concretizado, quanto a fusão de grandes empresas que estão formando verdadeiras gigantes do agronegócio, a exemplo das indústrias de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Exportações

As exportações do agronegócio brasileiro chegaram a US$ 10,17 bilhões em junho/19, o maior valor para o mês desde o início da série histórica em 1997, e um aumento de 24,5% em relação a junho de 2019. Dados do Ministério da Agricultura. A soja mais uma vez foi o principal produto responsável pelo aumento da exportação do setor. As vendas da oleaginosa subiram de US$ 3,53 bilhões em junho de 2019, para US$ 5,42 bilhões em junho de 2020, uma alta de 53,4% no período. Somente os embarques da soja em grãos chegou a 13,8 milhões de toneladas.

China foi o principal país responsável pela alta das vendas, ao adquirir 70% da soja brasileira em junho.

Com isso, a participação do agronegócio nas exportações brasileiras aumentou de 44,4%, em junho de 2019, para 56,8% em igual mês deste ano.

As exportações de carnes foram de US$ 1,41 bilhão (4,5%). O volume vendido foi recorde para os meses de junho (626,5 mil toneladas). A carne bovina representou mais da metade do valor exportado de carnes, com registros de US$ 742,56 milhões. Tanto o valor mencionado como o volume (176,6 mil toneladas) foram recordes para os meses de junho.

A carne suína também apresentou valor e volume recorde em vendas externas para o mês de junho. As exportações foram de US$ 196,86 milhões, com volume de 95 mil toneladas. Já as exportações de carne de frango foram de US$ 438,23 milhões (-32,1%), com queda de 13,6% no volume exportado e redução de 21,4% no preço médio de exportação.

A China se destacou mais uma vez nas aquisições de carnes brasileiras, tendo importado metade da carne bovina e suína exportada pelo Brasil. A participação da China nas aquisições de carne de frango também foi relevante, chegando a 23,7% do total exportado.

O setor sucroalcooleiro apresentou o maior aumento percentual das vendas, dentre os principais setores, elevando-se 74,5% na comparação entre junho de 2019 e junho de 2020, ao passar de US$ 536,12 milhões para US$ 935,37 milhões.

As exportações de açúcar de cana representaram a maior parte do valor exportado pelo setor, com US$ 810,80 milhões (+80,4%) e quase 3 milhões de toneladas (+94,8%).

O álcool também registrou elevação nas vendas externas, subindo de US$ 85,83 milhões (junho de 2019) para US$ 122,71 milhões exportados em junho deste ano.

O crescimento das exportações brasileiras de cana de açúcar é explicado pela quebra das safras de cana de açúcar 2019/2020 na Índia e na Tailândia, que possibilitou a ampliação das exportações para diversos mercados. A Indonésia é um mercado que não importou nada de açúcar brasileiro em junho de 2019 e adquiriu US$ 86,78 milhões em junho.

Lavouras Temporárias

Histórico de área colhida lavouras temporárias de cana de açúcar, milho e sojas (Culturas Temporárias são aquelas sujeitas ao replantio após a colheita, ou seja, que devem ser plantadas a todo ano).  

Produção e Área Cerais, Leguminosas e Oleaginosas

De acordo com o IBGE e abaixo retratado a área e a produção de cereais leguminosas e oleaginosas apresenta crescimento em todas as regiões do país e a colheita em toneladas tem evolução significativa.

Emprego e oportunidades

Com um número de 18,37 milhões de pessoas empregadas no setor no ano de 2019,o setor deagronegócios apresenta oportunidade de empregos, mas a cada ano exige maiores e melhores qualificações e aumentam o leque de profissionais requisitados.

São preferenciais os formados em agronomia, ciência em tecnologia de alimentos, de laticínios, geografia, geologia, engenharia ambiental, engenharia de biossistemas, zootecnia, medicina veterinária e a cada vez mais procurados e em alta, os profissionais de TI, Contabilidade, Física, Matemática.

O profissional precisa ter perfil inovador e foco nos temas de sustentabilidade

Biocombustíveis

Esse segmento do agronegócio tem como proposta a utilização de grãos para a produção de combustíveis, de forma a serem menos agressivos ao meio ambiente.

Hoje já são comercializados biodiesel produzido a partir do óleo vegetal.

Em 2017 instituída pela Lei nº 13.576/2017  o Ministério de Minas e Energia criou a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) para promover a adequada expansão dos biocombustíveis na matriz energética. Além de assegurar previsibilidade para o mercado de combustíveis, induzindo ganhos de eficiência energética e de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa na produção, comercialização e uso de biocombustíveis

Agronegócio e Meio Ambiente

Assunto polêmico e que não se esgota, a verdade é que existem diversas pesquisas que alertam que o desmatamento, mudanças climáticas e o uso excessivo de agrotóxicos que podem causar prejuízos a produção rural.

O futuro do agronegócio e na verdade da terra, depende da preservação ambiental. Todos somos responsáveis.

Há o desafio de atender as demandas crescentes por alimento e energia e considerar a conservação dos recursos hídricos, do solo, da biodiversidade, a redução da emissão de gases de efeito estufa. Com todos os custos e o valor comercial de cada produto.

Um dos caminhos é estabelecer normas e políticas sustentáveis em toda a cadeia do agronegócio não só no Brasil, mas em consenso mundial e que os produtos colhidos desse negócio tenham uma padronização sustentável e, portanto, sejam mais bem aceitos no mercado consumidor.

Conclusão

Ao formatar este artigo, a DUO deseja mergulhar nas peculiaridades dos mais importantes segmentos da economia brasileira e que carrega, ainda, as melhores perspectivas para o futuro próximo.

As informações sobre o Agronegócio são ricas e a DUO buscou aqui, os dados em diversas instituições, públicas e privadas que catalogam e divulgam diariamente.

Essa dinâmica é essencial para o planejamento, assim como para os países compradores de nossos produtos, de forma que se têm, com antecedência, todas as previsões de safras, que exercem influência em todas as grandes bolsas de valores do mundo.

Considerando a magnitude do que é o Agronegócio brasileiro, a DUO quis dar um panorama dos subsetores desse segmento, não só pela grande importância econômica, mas, também, pelas variadas oportunidades de negócios e atração de investimentos.

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